framework/ fame

Imagem: Mário Afonso / Vídeo still. Filmagem de Sérgio Marques

Normalmente, para contextualizar o meu campo de trabalho, apoio-me numa citação que, dada a subjectividade do objecto artístico, serve de linha orientadora ou como forma de reforçar uma ideia inerente a essa pesquisa. Desta vez vou escrever apenas a data em que fiz um balanço dos pontos de partida, da conclusão formal destes espectáculos apresentados enquanto díptico, e também deste texto: 6 de Outubro de 2006.

framework foi estreado no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Dança em Abril de 2006. É uma reacção às questões debatidas naquele acontecimento, quase um corta-e-cola feito de ano para ano: o estatuto do bailarino, as condições precárias em que se produz dança, o papel inexistente da crítica, questões de internacionalização, etc. Numa tentativa de me posicionar relativamente aos assuntos debatidos nesse evento, olho para tudo isto e penso: onde fica o meu trabalho de criação se me prendo a problemas de exequibilidade? Será que o público se interessa pelas questões da praxis? Tudo isto vem juntar-se às dúvidas pré-existentes ou existenciais: O que é isto que faço? Porque o faço? Pela necessidade de formular questões no espaço cénico ou pela necessidade egocêntrica de visibilidade? A criação artística não é uma tarefa fácil, no sentido em que o caminho que se tece é constantemente reequacionado. Então, porquê continuar? Que necessidade extrema é esta?

Quanto a fame, trata-se de um trabalho não menos reactivo e não menos festivo que framework. Nestes dois espectáculos, um díptico onde todas as questões abordadas neste texto habitarão o espaço cénico, não esqueci, obviamente, o mais importante: a poética do tempo e do lugar em que me encontro.

The show must go on!

Ficha técnica
Concepção e interpretação Mário Afonso Coordenação técnica e operação de luz e som Miguel Conceição Música framework “Splanky” - Cout Basie Música fame “The iron foundry” – Alexander Mossolov Sonoplastia e design gráfico Nuno Luz Desenho de luz Mário Afonso Comunicação Rodrigo Saturnino Produção Mário Afonso e Marta Almada
Apoios CEM - Centro em Movimento, CENTA - Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas, Fórum Dança, TAGIS - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.
Agradecimentos Luís Coutinho, Marta Almada, Miguel Conceição, Mónia Mota, Otelo Lapa, Paulo Caramujo, Paulo Guimarães, Raquel Nicoletti, Sérgio Conceição, Sofia Campos, Teatro Praga, Teresa Dias.
Agradecimento especial Marília Maria Mira
Duração 60 minutos (com 15 minutos de intervalo)