representações

Vídeo still. Filmagem David Guéniot.

Os primeiros 10 minutos são sempre bem recebidos. Terá certamente a ver com uma expectativa criada em torno do momento inicial. Os momentos seguintes levantam algumas questões. Muitas pessoas ficam chocadas com a crueza das acções: uma intricada e grosseira coreografia de movimentos quotidianos. Outras, sentindo-se porventura insultadas, deixam fazer notar o desconforto. Outras ainda, despertadas pelas acções mínimas e aparentemente vazias, esticam ligeiramente os seus corpos em frente para melhor ver o que se passa: um ritual que em tudo faz lembrar a acção de um artesão no conjunto dos seus gestos simples em volta de uma cadeira.

“…Há uma coreografia de movimentos que recusa a ideia de facilidade. A não utilização de protecções denuncia um estudo e preparação que o espectador não tem. Logo, não é o quotidiano que aqui se apresenta, mas um trabalho sobre o quotidiano. O criador parece perguntar porque haverá de ser diferente uma progressão corporal da progressão de construção de um objecto. (…)
(…) A procura de desejo e de saber o que falta (desabafos que Mário Afonso inscreve com serradura no chão), não são mais que vontades de pertencer a um outro mundo que ultrapasse o que se vê, permitindo-se a uma liberdade de interpretação. Em última análise, o que Mário Afonso propõe é o libertar de convenções, sejam elas coreográficas ou dramatúrgicas. Tudo em nome dos objectos que se querem questionados. Mesmo quando se lhes atribui uma finalidade. Como às cadeiras.
In, Tiago Bartolomeu Costa http://omelhoranjo.blogspot.com

Concepção, direcção e interpretação Mário Afonso
Consultoria Maria Filomena Molder
Acompanhamento artístico João Fiadeiro e João Queiroz
Conversas Rui Catalão
Música “Sagração da primavera” Stravinsky, Igor
Duração 40 minutos