Um estado provisório |
![]() Imagem de Catarina Araújo |
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Após uma residência de criação durante um mês no campo, de volta à cidade impressionou-me a consciencialização do lugar onde vivo. Depois deste mês de trabalho em contacto com esse outro tempo, outra forma de estar tão particular a esse lugar, o campo, a chegada à cidade aconteceu como um “choque”. Esbateu-se a harmonia das cores que se fundem umas nas outras e o jogo de contrastes tomou posição. À medida que me aproximava da cidade os expositores em letras garrafais apelavam ao melhor que há, ao melhor que se faz, ao maior, ao mais interessante, importante e ao mais belo, em harmonia com os camions TIR que apelavam ao mesmo nas grandes lonas que os cobriam. Sentia a tensão no corpo que se afundava no banco do carro, e o “choque” amenizava-se à medida que reconhecia aquele lugar: o corpo em consciencialização da funcionalidade que devia readquirir, apenas esquecida por momentos: a de objecto de locomoção funcional. Estarão
os nossos corpos habituados a pensar? Ou ter-se-ão alterado na
forma de estar para se encontrarem mais em consonância com os objectos
que preenchem a vida? |